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Joanna apresenta 40 anos de sucesso no Sesc Palladium

Dona de uma voz inconfundível, a cantora lançou seu primeiro disco em 1979 e até hoje é um dos maiores símbolos da MPB


Créditos da imagem: Divulgação/Sony
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Júnior Castro
13/12/19 às 14:14
Atualizado em 13/12/19 às 14:14

“Vem, ficar comigo no abandono desse abraço. E adormeça no meu peito teu cansaço. Que é tão difícil um momento pra nós dois... Vem e traz contigo esta paz tão esperada. Faz dessa noite uma eterna madrugada. E só desperte quando a vida... adormecer”. O trecho da canção “Momentos”, não à toa, foi escolhido para dar início ao papo com uma das maiores cantoras e compositoras do Brasil. Joanna, que apresenta hoje (13) seu show De Volta ao Começo no Grande Teatro do Sesc Palladium, comemora 40 anos de carreira e, entre inúmeras lembranças, nos contou como essa música se tornou uma das mais importantes de sua história.

Nascida no subúrbio do Rio de Janeiro, filha do violonista e intelectual português Joaquim Gomes Nogueira e da dona de casa Marieta Gomes Nogueira, Joanna, desde a infância, já escrevia canções e poemas. Aos 12 anos, ganhou seu primeiro violão e, a partir daí, já sabia que a música seria seu destino. “Eu cheguei a cursar Administração de Empresas, mas não conclui. Fui artesã por muito tempo, era o que me sustentava e sempre gostei de trabalhos manuais. Mas, a música sempre esteve comigo e eu já sabia que era isso o que eu desejava para minha vida. Então, a partir da década de 1970 resolvi partir para noite do Rio de Janeiro em busca do meu sonho”, relembra sobre o início da carreira.

No ano de 1979, estreia profissionalmente. Entretanto, uma peculiaridade fez parte daquele período. Na mesma época, 32 cantoras eram lançadas no país, dentre elas, nove se chamavam Fátima (Joanna é o nome artístico de Maria de Fátima Gomes Nogueira) e, por isso, houve-se a decisão da mudança de nome. “Antes de lançar o primeiro disco, por causa dessa inflação de Fátimas no mercado, os meus produtores da época, Arthur Laranjeiras e Durval Ferreira, sugeriram que eu mudasse o nome. Diziam que Fátima não era um nome tão pragmático, tão forte. Aí, achei a ideia bacana e ficamos entre três nomes: Mariana, Juliana e Joanna. Contudo, a hora que veio Joanna eu falei: É esse, não tenho dúvidas!” explica.

Escolhido o nome, no mesmo ano Joanna lança o primeiro disco, “Nascente”, e recebe seu primeiro Disco de Ouro com mais de 120 mil cópias vendidas. “Foi um espanto tudo aquilo que estava acontecendo. Para mim, tudo era muito novo e tentar me entender dentro da música popular brasileira era muito complexo, eu tinha 21 anos. Mas, claro, era algo esperado, porque sempre investi na ideia e no sonho de ser artista”, recorda.

Sucesso de crítica e público, quase todos os grandes compositores do País puderam ser ouvidos por meio da voz de Joanna. Gonzaguinha, Fernando Brant, Milton Nascimento, esses são apenas alguns dos inúmeros artistas que fizeram parte de sua carreira. Como compositora, foram quase 40 temas de novelas. Entre tantos sucessos, como a própria diz, é impossível escolher uma canção preferida, mas algumas puderam ser relembradas com grande afeto. “Toda música é um filho. Contudo, acho importante pontuar, por exemplo, minha primeira música tema de novela: Momentos. Foi através dela que ganhei meus primeiros prêmios, o primeiro Disco de Ouro, o primeiro de Platina”, conta.

“Tô Fazendo Falta” é outra canção memorável na trajetória da artista. Segundo ela, a música possui uma inacreditável concepção. “Essa canção tem uma história impressionante. Eu tenho um insight, isso de muito tempo, que sempre percebo onde a música é sucesso ou não. Quando estava fazendo ‘Joanna 20 Anos’, faltava uma canção para entrar no disco. Aí, me lembrei de uma dupla que o Roberto Menescal havia me apresentado há muitos anos e de uma música deles que tinha ficado na minha cabeça. Consegui o telefone dos rapazes e fui atrás. Quando me encontrei com eles e perguntei sobre a música, Zezé de Camargo já havia gravado. Em seguida, me mostraram mais umas 30 músicas e não gostei de nenhuma. Por fim, me disseram que tinham um refrão de uma canção, mas ainda não tinham terminado (Tô Fazendo Falta). Eles não queriam me mostrar, mas insisti e quando vi a letra disse: Pode fazer, a música é essa!”, detalha.

Agora, mais de 20 anos depois, com foco em retrospectiva, mas sem saudosismo, Joanna encerra sua turnê de 40 anos em solo belo-horizontino e, com enorme carinho, nos contou sobre sua relação com os mineiros. “O mineiro é extremamente carinhoso com o meu trabalho e com a minha pessoa. Não só em nível de imprensa, mas o próprio público. Pelas redes sociais, por exemplo, a gente vê a quantidade de pessoas daí que consomem o meu trabalho. E também tenho uma história com Minas Gerais, que foi uma das canções mais emblemáticas que já gravei. A canção ‘Nos Bailes da Vida’, foi feita por Fernando Brant e Milton Nascimento especialmente para mim, embora tenha ficado mais famosa na voz do próprio Milton e do Roupa Nova. Contudo, o que posso afirmar é que minha relação com Minas é muito especial e de muita proximidade”, conclui.

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